Simpósio Internacional O Brasil na Segunda Guerra

Postado por INEST em 26/ago/2015 - Sem Comentários

Sim­pó­sio Inter­na­cional é encer­rado com duas con­fer­ên­cias sobre o mundo no pós guerra

Pub­li­cado em Sábado, 22 Agosto 2015 19:12Por Gilson Carvalho

A última ativi­dade do Sim­pó­sio Inter­na­cional O Brasil na Segunda Guerra, real­izada nessa sexta, 21 de agosto, foi a mesa de encer­ra­mento que teve o tema O mundo pós-​guerra, com a par­tic­i­pação dos pro­fes­sores Williams Gonçalves, da Uni­ver­si­dade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Eurico de Lima Figueiredo, dire­tor do INEST. O pro­fes­sor Vagner Camilo Alves atuou como moderador.

Williams Gonçalves lem­brou que a Segunda Guerra Mundial rep­re­sen­tou uma mudança rad­i­cal no sis­tema inter­na­cional de poder, com ascen­são dos Esta­dos Unidos e da União Soviética, resul­tado direto do con­flito bélico, e que levou, a par­tir de 1947, ao surg­i­mento de dois blo­cos, con­fig­u­rando a chamada Guerra Fria. Out­ras con­se­qüên­cias foram o surg­i­mento de uma nova ordem inter­na­cional, tanto do ponto de vista político, com a cri­ação da Orga­ni­za­ção das Nações Unidas (ONU), quanto do econômico, com a real­iza­ção das con­fer­ên­cias de Bret­ton Woods e o surg­i­mento, em 1947, do Acordo Geral de Tar­i­fas e Com­er­cio (GATT, na sigla em inglês), que evoluiria para Orga­ni­za­ção Mundial do Comér­cio (OMC) em 1986. Gonçalves ressaltou que vive­mos um momento de tran­sição, com uma nova ordem mundial sendo con­sti­tuída a par­tir do surg­i­mento de novos blo­cos econômi­cos como os Brics, for­mado por Brasil, Rús­sia, Índia, China e África do Sul.

Como con­fer­encista, o pro­fes­sor emérito Eurico de Lima Figueiredo, dire­tor do INEST, desen­volveu a apre­sen­tação de encer­ra­mento guiando seu raciocínio em qua­tro proposições: a indis­pens­abil­i­dade da com­preen­são do fim da segunda guerra mundial para enten­der o mundo atual, a reflexão sobre a bipo­lar­i­dade ide­ológ­ica vigente até 1991, as con­se­quên­cias do fim do con­flito e da polar­iza­ção ide­ológ­ica para a América Latina e o Brasil e, por fim, como a Segunda Guerra pode aju­dar a com­preen­der as inter­ações entre os Estu­dos Estratégi­cos e as Relações Internacionais.

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Gabriel Pas­setti, Eurico de Lima Figueiredo, Vagner Camilo Alves e Williams Gonçalves — foto: Mar­i­ana Guimarães

A con­fer­ên­cia de encer­ra­mento foi medi­ada pelo pro­fes­sor Vágner Camilo, que dividiu com o prof. Gabriel Pas­setti, a coor­de­nação do evento.

Bal­anço final

Ao fazer um bal­anço final, o pro­fes­sor Gabriel Pas­setti, declarou estar ple­na­mente sat­is­feito com o resultado:

– Após um ano de tra­balho, tudo saiu como esperá­va­mos, com dis­cussões de alto nível sobre a Segunda Guerra Mundial, a par­tir de uma per­spec­tiva brasileira. Foram sete mesas, qua­tro espe­cial­is­tas estrangeiros, vários brasileiros, mostra de filmes, com par­tic­i­pação de dire­tores e pro­du­tores. Eu não pode­ria estar mais feliz.

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Pro­fes­sores e alunos que par­tic­i­param da orga­ni­za­ção do Sim­pó­sio Inter­na­cional — Foto: Lean­dro Ortolan

Pas­setti agrade­ceu a ded­i­cação de toda a comis­são orga­ni­zadora, que con­tou com a par­tic­i­pação de vários docentes e alunos de pós-​graduação do INEST, as agên­cias de finan­cia­mento e, prin­ci­pal­mente os mon­i­tores, alunos de grad­u­ação em Relações Inter­na­cionais, que tra­bal­haram durante toda a sem­ana e aju­daram a con­struir o êxito do Simpósio.

Aspec­tos econômi­cos são tema no último dia do Sim­pó­sio Inter­na­cional O Brasil na Segunda Guerra

Pub­li­cado em Sábado, 22 Agosto 2015 19:06Por Gilson Carvalho

O último dia do Sim­pó­sio Inter­na­cional O Brasil na Segunda Guerra teve a mesa-​redonda com­posta pelos pesquisadores Luiz Car­los Delorme Prado, da Uni­ver­si­dade Fed­eral do Rio de Janeiro (UFRJ), Fran­cisco Luis Corsi, da Uni­ver­si­dade Estad­ual Paulista (UNESP) e Hélio de Lena Junior, do Cen­tro Uni­ver­sitário de Volta Redonda, que dis­cor­reram sobre o tema “Aspec­tos econômi­cos”. A mod­er­ação coube ao pro­fes­sor Fer­nando Roberto de Fre­itas Almeida, do Insti­tuto de Estu­dos Estratégi­cos (INEST).

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Luiz Car­los Delorme Prado, Fer­nando Roberto de Fre­itas Almeida e Fran­cisco Corsi — foto: Mar­i­ana Guimarães

A mesa foi aberta por Luiz Car­los Prado, falou sobre as con­se­qüên­cias econômi­cas da Segunda Guerra mundial no Brasil e na América do Sul, enfa­ti­zando as difer­entes posições tomadas pelos brasileiros e argenti­nos, prin­ci­pais países do con­ti­nente, e como os acor­dos de Bret­ton Woods, acer­ta­dos em julho de 1944 naquela local­i­dade, nos Esta­dos Unidos, con­sol­i­daram a hege­mo­nia norte-​americana no pós-​guerra.

A seguir, Fran­cisco Corsi expli­cou como o período entre guer­ras rep­re­sen­tou uma opor­tu­nidade para o desen­volvi­mento das nações per­iféri­cas, a par­tir da desar­tic­u­lação das econo­mia mundial, e como a neces­si­dade de finan­cia­mento para a con­strução de um par­que indus­trial obrigou o Brasil de Getúlio Var­gas a alinhar-​se com os Esta­dos Unidos, em detri­mento da Ale­manha, com quem fler­tara, per­mitindo a cri­ação da Com­pan­hia Siderúr­gica Nacional, em Volta Redonda — RJ, marco ini­cial da indus­tri­al­iza­ção brasileira.

Por fim, Hélio de Lena Junior, demon­strou como o pro­jeto de nação pro­posto por Getúlio Var­gas bus­cava con­cil­iar a ideia de um “homem novo” e um desen­volvi­men­tismo autoritário, posto em prática a par­tir de 1944, com a insta­lação de uma “company-​town”, surgida ao redor da CSN no vale do rio Paraíba do Sul, naquela que viria a ser a cidade de Volta Redonda.

His­to­ri­ografia e Política Externa são temas do quarto dia
do Sim­pó­sio Inter­na­cional O Brasil na Segunda Guerra

Por Andrés Peñaloza Lanza e Manuela Melani, do Cos­mopolítico, espe­cial para o Por­tal do INEST

O quarto dia, 20 de Agosto, do Sim­pó­sio Inter­na­cional O Brasil na Segunda Guerra Mundial, foi con­sti­tuído por duas mesas. A primeira abor­dou nova­mente a política externa brasileira durante a Segunda Guerra e foi medi­ada pelo pro­fes­sor do INEST Renato Petroc­chi e com­posta pelos palestrantes Rebecca Her­man (Uni­ver­si­dade da Cal­ifór­nia, em Berke­ley), Delmo Arguel­hes (UniEURO, de Brasília) e Érica Mon­teiro (UFRJ).
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Renato Petroc­chi, Rebecca Her­man, Erica Mon­teiro e Delmo Arguel­hes. Foto: Mar­i­ana Guimarães

A pro­fes­sora Rebecca Her­man abor­dou o processo de con­strução de bases mil­itares e pis­tas de pouso na América Latina, dando ênfase na coop­er­ação entre empre­sas de avi­ação norte-​americanas e o gov­erno dos Esta­dos Unidos no esforço de guerra. Ressaltou alguns casos especí­fi­cos, ocor­ri­dos no Brasil, em que o dis­curso do gov­erno estadunidense, voltado à coop­tação de ali­a­dos, divergiu da política real­izada por empre­sas amer­i­canas, em espe­cial no que tange ao respeito aos dire­itos tra­bal­his­tas. Procurou demon­strar a ten­são entre a colab­o­ração inter­na­cional e a sobera­nia nacional, e como no caso do Brasil, a sua política externa afe­tou dire­ta­mente a polit­ica domés­tica. “Existe um padrão de res­olução de con­fli­tos onde os lid­eres sus­ten­tam a sobera­nia nacional mas no processo de nego­ci­ação se mostram dis­pos­tos a diminuir a sobera­nia nacional”, rela­tou Rebecca.

Seguindo o crono­grama, tomou a palavra o pro­fes­sor Delmo Arguel­hes, com o tema era A Con­fer­en­cia dos chancel­eres amer­i­canos no Rio de Janeiro (1942): o ponto de inflexão da política externa getulista. Arguel­hes expli­cou como a intenção da entrada no Brasil na guerra foi definida com a Con­fer­en­cia Panamer­i­cana, quando foram feitos acor­dos de sol­i­dariedade e defesa no con­ti­nente, lid­er­a­dos pelos Esta­dos Unidos. O resul­tado da con­fer­en­cia de chancel­eres foi uma recomen­dação de rompi­mento das relações com o Eixo, ante­ci­pando a pre­dom­inân­cia dos Esta­dos Unidos na América Latina.

Por fim, a pro­fes­sora Mon­teiro expôs uma análise da relação entre o Estado e a ini­cia­tiva pri­vada no esforço da guerra, com a pesquisa inti­t­u­lada Em tem­pos de guerra lucrar é pre­ciso: ini­cia­tiva pri­vada e relações inter­amer­i­canas durante a II Guerra Mundial. O tema da pesquisa surgiu após a obser­vação de sím­bo­los e slo­gans pre­sentes nas pro­pa­gan­das de guerra que exal­tavam a democ­ra­cia lib­eral e estereoti­pada os inimi­gos. Ao afi­nal, apre­sen­tou um vídeo inti­t­u­lado A guerra como slo­gan com mate­r­ial pub­li­cado no Brasil com ini­cia­tiva pri­vada americana.

Prosseguindo a pro­gra­mação do quarto dia, o pro­fes­sor do INEST Vágner Camilo tomou a palavra e chamou os palestrantes Fran­cisco César Fer­raz (UEL), João Rafael Moraes (IESP-​UERJ) e Den­ni­son de Oliveira (UFPR) para dar iní­cio a mesa Novas leituras e novas fontes sobre a Segunda Guerra Mundial.

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Fran­cisco Fer­raz — foto: Mar­i­ana Guimarães

O pro­fes­sor Fer­raz apre­sen­tou uma serie de con­sid­er­ações his­to­ri­ografi­cas sobre a pro­dução bib­li­ografica acerca da par­tic­i­pação brasileira na guerra. Ele mostrou o lev­an­ta­mento dos títu­los que tratavam da FEB e con­sta­tou que o tema pos­sui pesquisas con­sis­tentes, muitas vezes ainda igno­radas. Tam­bém obser­vou uma tendên­cia a pub­li­cações de arti­gos com temas como a entrada do Brasil na guerra, a relação entre Brasil e EUA, cotid­i­ano e region­al­ismo, rein­te­gração e pós-​guerra e estu­dos culturais.

A seguir, o pro­fes­sor João Rafael abor­dou o tema A reflexão da int­elec­tul­i­dade mil­i­tar brasileira sobre a Blitzkieg n’A Defesa Nacional. Em sua exposição, con­trapôs a influên­cia francesa e alemã no sis­tema de ensino e instrução. Afir­mou que a der­rota da França em 1940 pela nova estraté­gia ráp­ida e total alemã levan­tou questões sobre a val­i­dade da dout­rina mil­i­tar francesa que foi emu­lada por duas décadas. Con­sta­tou a grande dependên­cia brasileira, na época, em matéria de dout­rina militar.

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João Rafael Gual­berto Morais — foto: Mar­i­ana Guimarães

Para finalizar, o pro­fes­sor de Oliveira apre­sen­tou a tese de seu novo livro Aliança Brasil-​EUA: nova história do Brasil na Segunda Guerra Mundial. Tomando como objeto de análise a doc­u­men­tação da Comis­são Mista de Defesa Brasil-​Estados Unidos em Wash­ing­ton e no Rio de Janeiro. Ressaltou a importân­cia do acervo doc­u­men­tal que teve acesso no Arquivo Nacional de Mary­land para as descober­tas de novos aspec­tos da história da par­tic­i­pação do Brasil na Segunda Guerra Mundial.

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Den­ni­son Oliveira — foto: Mar­i­ana Guimarães

Senta a Pua conta a história da avi­ação de caça brasileira na Segunda Guerra

Pub­li­cado em Sábado, 22 Agosto 2015 09:45A ter­ceira sessão do Diplo­macine, den­tro do Sim­pó­sio Inter­na­cional O Brasil na Segunda Guerra, trouxe Már­cio Bokel, mon­ta­dor e roteirista do filme Senta a Pua, doc­u­men­tário que aborda o papel do primeiro grupo de avi­ação de caça, que atuou na Força Expe­di­cionária Brasileira, no teatro de oper­ações italiano.

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Prof. Petrochi e Már­cio Bokel — foto: Mar­i­ana Guimarães

Bokel con­tou em detal­hes os relatos dados por pilo­tos do grupo de caça. Ele mostrou aos pre­sentes cer­tas car­ac­terís­ti­cas do dia a dia daque­les avi­adores durante o con­flito, não somente no que se ref­ere às suas téc­ni­cas e às aeron­aves uti­lizadas, mas em espe­cial ao fator humano, suas apreen­sões, o con­vívio, as per­das e as memórias.

Bokel tam­bém rev­elou por­menores téc­ni­cos pre­ciosos em relação à escolha das ima­gens históri­cas que com­puseram a obra, como os vídeos feitos a par­tir de câmeras insta­l­adas nos aviões, recu­per­adas em bases brasileiras e nos Arquivo Nacional dos Esta­dos Unidos, e fotografias raras obti­das ao longo da pro­dução do documentário.

A obra gan­hou os prêmios de mel­hor filme e mon­tagem no fes­ti­val de Cin­ema de Natal e de mel­hor filme no fes­ti­val da Amazô­nia. As sessão foi mod­er­ada pelos pro­fes­sores Renato Petroc­chi e Vágner Camilo Alves.

Ter­ceiro dia trata de política externa brasileira

Pub­li­cado em Quarta, 19 Agosto 2015 21:30Por Manuela Melani, do Cos­mopolítico, espe­cial para o Por­tal INEST

O Sim­pó­sio Inter­na­cional: O Brasil na Segunda Guerra con­tou nesta quarta-​feira, 19 de agosto, com a mesa Política Externa Brasileira. Mod­er­ada pelo pro­fes­sor Eduardo Heleno, a mesa con­tou com a par­tic­i­pação dos palestrantes Fábio Koif­man, da Uni­ver­si­dade Fed­eral Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Alexan­dre Luis Moreli Rocha Fun­dação Getúlio Var­gas (FGV-​CPDOC) e João Bap­tista de Abreu Júnior , da UFF.
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João Bap­tista de Abreu Júnior, Alexan­dre Moreli, Eduardo Heleno e Fábio Koif­man — foto: Mar­i­ana Guimarães

O pro­fes­sor Fábio Koif­man tra­tou do tema Política imi­gratória brasileira e a Segunda Guerra Mundial, con­tex­tu­al­izando desde as políti­cas de bran­quea­mento pro­movi­das pelo Estado Novo, até as restrições migratórias impostas pela entrada do Brasil na guerra. Koif­man chamou atenção ao fato da emis­são e con­t­role do visto ter pas­sado do Min­istério das Relações Exte­ri­ores para o Min­istério da Justiça após o iní­cio do con­flito e o con­se­quente aumento do número de refugiados.

A seguir, tomou a palavra o pesquisador Alexan­dre Moreli que abor­dou sobre a importân­cia estratég­ica do espaço Atlân­tico na Segunda Guerra Mundial e a neces­si­dade de se enten­der o con­flito de inter­esses exis­tente nesta região. Ele ressaltou a relação entre Por­tu­gal, Grã-​Bretanha, Esta­dos Unidos e Brasil para a pro­teção do mar inte­rior e das ilhas por­tugue­sas que gerou uma coop­er­ação com­pet­i­tiva, prin­ci­pal­mente entre os britâni­cos e americanos.

O palestrante João Bap­tista trouxe para o debate o papel do rádio e da pro­pa­ganda na guerra psi­cológ­ica. Com o título O rádio, a Segunda Guerra Mundial e a batalha sonora do Brasil deu ênfase às trans­mis­sões feitas tanto pelos Ali­a­dos como pelo Eixo no ter­ritório brasileiro, tendo como obje­tivo o esforço de guerra. Trouxe um áudio para exem­pli­ficar como era feita a difusão de infor­mações na rádio no período de conflito.

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Vágner Camilo Alves, foto de Mar­i­ana Guimarães

Após o tér­mino da mesa da tarde, acon­te­ceu a última ativi­dade do dia, a Con­fer­ên­cia Uma análise estru­tural sobre o envolvi­mento brasileiro na Segunda Guerra Mundial, min­istrada pelo Coor­de­nador do Pro­grama de Pós-​Graduação em Estu­dos Estrtégi­cos (PPGEST) pro­fes­sor Vagner Camilo. O pesquisador afir­mou que „Nada mais falso do que a visão de Getulio Var­gas ter escol­hido o lado que iria colab­o­rar na guerra”, enfa­ti­zando a neces­si­dade de se anal­isar como o sis­tema inter­na­cional trouxe o Brasil para den­tro do conflito.

“Estrada 47″ presta trib­uto aos prac­in­has brasileiros

Por Manuela Melani, do Cos­mopolítico, espe­cial para o Por­tal INEST

Na manhã de quarta-​feira, 19 de agosto, teve iní­cio a pro­gra­mação do ter­ceiro dia do Sim­pó­sio Inter­na­cional: „O Brasil na Segunda Guerra” com a exibição do filme de ficção “A Estrada 47” pelo Diplo­macine, cineclube do curso de Relações Inter­na­cionais da UFF. A sessão con­tou com a par­tic­i­pação do dire­tor do filme, Vicente Fer­raz, para um debate.

O filme „A Estrada 47″ foi pro­duzido em 2014 e estreou em 2015, já fat­u­rando o prêmio de mel­hor filme no Fes­ti­val de Gra­mado. A trama narra a história de sol­da­dos brasileiros da FEB no front ital­iano que se perderam de seus pos­tos na mon­tanha após uma explosão e pas­sam a ser vis­tos como pos­síveis deser­tores. Para mudar esse quadro, eles deci­dem diz­imar a famosa estrada 47. Mais que isso, trata dos temores e medos dos prac­in­has que foram à guerra desprepara­dos, rela­tando suas vivên­cias, muitas vezes de pânico, e a neces­si­dade de serem vis­tos como heróis por suas famílias.
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O dire­tor Vicente Fer­raz e o pro­fes­sor Gabriel Pas­setti — foto: Mar­i­ana Guimarães

O dire­tor Fer­raz afirma que por ter sido da ger­ação do final da ditadura civil-​militar, não tinha inter­esse em abor­dar o exército. Con­tudo, com o tempo, reviu a exper­iên­cia e pas­sou a ver a atu­ação da FEB na Segunda Guerra Mundial como um exército que lutava pela democ­ra­cia, con­tra as forças fascis­tas.

É impor­tante ressaltar que o episó­dio da Estrada 47 não exis­tiu na real­i­dade, foi uma história cri­ada para refle­tir sobre o papel da FEB e da guerra. O con­tato com os ex-​combatentes e com a comu­nidade ital­iana, além das car­tas dos jovens sol­da­dos da FEB foram fun­da­men­tais para a human­iza­ção do filme. „Este filme é um trib­uto aos jovens brasileiros que arriscaram suas vidas pela democ­ra­cia e pela república”, relata Vicente.

Segundo dia tem mesa-​redonda, con­fer­ên­cia e lança­mento de livro

Pub­li­cado em Terça, 18 Agosto 2015 20:31Por Andres Peñaloza e Manuela Melani, do Cos­mopolítico, espe­cial para o Por­tal do INEST

Dando con­tinuidade à pro­gra­mação de terça-​feira, 18 de Agosto, do Sim­pó­sio Inter­na­cional O Brasil na Segunda Guerra, o pro­fes­sor Adri­ano de Freixo abriu a segunda mesa do evento, Movi­men­tos Soci­ais e Políti­cos. O debate con­tou com a par­tic­i­pação de Alexan­dre Fortes, da Uni­ver­si­dade Fed­eral Rural do Rio de Janeiro, (UFRRJ), Fran­cisco Car­los Palo­manes Mar­t­inho da Uni­ver­si­dade de São Paulo,(USP) e Luís Edmundo de Souza Moraes, tam­bém da UFRRJ.

O pro­fes­sor Fortes ini­ciou sua fala mostrando como a guerra afeta as relações soci­ais num país, tratando do caso especí­fico do Brasil. No país, ocor­reram inten­sos soci­ais anti-​Eixo entre os anos de 42 e 45 que esta­b­ele­ce­ram condições para uma rup­tura nas relações e a pos­si­bil­i­dade da con­sol­i­dadão de pro­je­tos reformis­tas. A for­mação da classe tra­bal­hadora foi acel­er­ada pela guerra por mais que os cam­pos de batalha estivessem dis­tantes da real­i­dade brasileira.

O pro­fes­sor Fran­cisco Car­los Palo­manes ini­cial­mente abor­daria o tema da crise e con­tinuidade do Salazarismo na Segunda Guerra, porém, tomou a liber­dade de focar em como a Segunda Guerra influ­en­ciou o processo de des­col­o­niza­ção por­tuguesa, ainda no gov­erno de Salazar.

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Fran­cisco Car­los Palo­manes Filho, Luiz Edmundo de Souza Moraes, Adri­ano de Freixo e Alexan­dre Fortes, foto: Mar­i­ana Guimarães

Por último, o pro­fes­sor Moraes apre­sen­tou o tema O Par­tido Nazista no Brasil, as colô­nias alemãs e o Estado Brasileiro especi­f­i­cando como o par­tido nazista real­mente fun­cionava no Brasil, desmisti­f­i­cando a teo­ria da quinta col­una. Segundo o pesquisador, o par­tido nazista se con­sti­tuiu de forma descen­tral­izada, não nec­es­sari­a­mente den­tro das colo­nias alemães, como afir­mava o artigo „Nazis­tas no exte­rior” pub­li­cado no New York Times naquela época. Ape­sar dos dados empíri­cos, o mito da quinta col­una ainda é forte, relata Luís Edmundo.

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António Duarte — foto: Mar­i­ana Guimarães

Apos o encer­ra­mento da mesa, o pro­fes­sor por­tuguês António Paulo David Silva Duarte, do Insti­tuto de História da Uni­ver­si­dade Nova de Lis­boa, pro­feriu uma con­fer­ên­cia inti­t­u­lada Por­tu­gal na Segunda Guerra Mundial: da Neu­tral­i­dade a Co-​beligerância. Duarte focou sua apre­sen­tação na geopolítica de Por­tu­gal na Segunda Guerra e como a Grã-​Bretanha afe­tou sua estraté­gia. Alem disso, ressaltou a neu­tral­i­dade do pais ibérico em suas diver­sas eta­pas, visando man­ter o sta­tus quo da penín­sula, man­tendo a Espanha como ali­ada para evi­tar relações com o Eixo.

João Barone recu­pera memória em “Cam­in­hos de Heróis”

Pub­li­cado em Terça, 18 Agosto 2015 20:00Por Manuela Melani e Andres Peñaloza, do Cos­mopolítico, espe­cial para o Por­tal INEST
No segundo dia do sim­pó­sio „O Brasil na Segunda Guerra”, na terça-​feira de manhã, 18 de agosto, foi apre­sen­tado o filme „Cam­inho dos heróis”, do dire­tor e músico João Barone (bater­ista dos Par­ala­mas do Sucesso), que tam­bém esteve pre­sente para a apre­sen­tação e debate após a sessão.

O doc­u­men­tário, pro­duzido pelo His­tory Chan­nel, mostra a viagem da equipe de Barone pela Itália, seguindo o cam­inho feito pela batal­hão de sol­da­dos da FEB, desde a entrada do Brasil na guerra, em agosto de 1942. Dirigindo répli­cas dos mes­mos car­ros de guerra que os prac­in­has usaram naquela época (incluindo o avô de Barone), a equipe passa por todas as cidades per­cor­ri­das pela mis­são brasileira, vis­i­tando os mon­u­men­tos, memórias e ex– com­bat­entes ital­ianos e brasileiros, recol­hendo teste­munhos das con­quis­tas e der­ro­tas da FEB.

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O músico e dire­tor João Barone, entu­si­asta e pesquisador sobre a FEB, ao lado dos alunos do INEST

Além da pas­sagem do batal­hão e o recol­hi­mento dos fatos históri­cos, é mar­cante a pre­sença e her­ança brasileira em ter­ras ital­ianas, sobre­tudo nas peque­nas comu­nidades, onde a guerra não foi ape­nas um motivo de coop­er­ação bélica, mas tam­bém de con­vívio diários, e que feliz­mente tiveram um resul­tado muito pos­i­tivo, em ambos os lados. É notável a ação dos sol­da­dos brasileiros em com­para­ção com os anglo-​saxões, pois aque­les são lem­bra­dos pela sua sen­si­bil­i­dade e prox­im­i­dade com os povos das cidades por onde pas­savam, dividindo ali­men­tos e remé­dios. Tal fato é com­pro­vado pela existên­cia de museus e locais hom­e­nage­ando os feitos da FEB na Itália, a exem­plo de Montese.

Barone esclare­ceu que uti­liza de sua posição como musico do Par­ala­mas do Sucesso para chamar atenção ao assunto e ressaltar a importân­cia de se estu­dar a pre­sença da FEB no front ital­iano não como um episó­dio secundário. O dire­tor afir­mou que a moti­vação para a pro­dução do doc­u­men­tário veio de sua viven­cia pes­soal e inter­esse pelo tema, alem da neces­si­dade de esclare­cer e per­pet­uar a memória da par­tic­i­pação da FEB na guerra. O pro­fes­sor Vagner Camillo encer­rou o debate resu­mindo a exibição „Mostra o que os livros escrevem, alem de dar a dimen­são humana ao episodio”.

Cul­tura e política: arte como resistên­cia na guerra

Como parte da pro­gra­mação do primeiro dia do Sim­pó­sio Inter­na­cional O Brasil na Segunda Guerra, após a con­fer­ên­cia de aber­tura, teve iní­cio a primeira mesa com o tema Cul­tura e Política, mod­er­ada pelo coor­de­nador do evento, pro­fes­sor Gabriel Pas­setti. A mesa foi com­posta por Orlando de Bar­ros, da Uni­ver­si­dade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Michel Gher­man, da Uni­ver­si­dade Hebraica de Jerusalém, e Viní­cius Mar­i­ano de Car­valho, do King’s Col­lege de Londres.

O pro­fes­sor Orlando de Bar­ros ini­ciou sua fala abor­dando a pre­sença dos grandes artis­tas na Segunda Guerra Mundial e seus papéis de entreter os sol­da­dos e amenizar as difi­cul­dades iner­entes ao con­flito. Partindo dai, tra­tou da Guerra dos artis­tas (título de seu mais recente livro) e de como estes foram fun­da­men­tais no esforço da guerra e nas Can­ti­nas dos Com­bat­entes, local onde os sol­da­dos con­frat­er­nizavam, acres­cen­tando que a arte exal­tava o patriotismo.

A seguir, tomou a palavra o palestrante inter­na­cional Michel Gher­man, que falou sobre Holo­causto, teste­munho e memória em ter­ras brasileiras. Por meio de uma análise com­par­a­tiva da imagem do sobre­vivente do Holo­causto e do sol­dado judeu com­bat­ente, e do uso de duas fig­uras impor­tantes, Alek­sander Laks e Salomão Malina, estabeceleu a existên­cia de duas guer­ras para­le­las, Segundo ele, na memória política, a pre­sença mais forte é a da vítima do exter­mínio. É pouco con­hecido o fato de 40 judeus brasileiros terem lutado na FEB (Força Expe­di­cionária Brasileira), enquanto que a história das viti­mas judias da Segunda Guerra Mundial é exacerbada.

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Michel Gher­mann, Gabriel Pas­setti e Viní­cius Mar­i­ano de Car­valho — foto: Mar­i­ana Guimarães

O pro­fes­sor Viní­cius Mar­i­ano de Car­valho, do Brazil Insti­tute, con­cluiu a sessão, car­ac­ter­i­zando a pro­dução artís­tica como muito pre­sente entre os prac­inha da FEB. Uti­lizando recur­sos audio­vi­suais, apre­sen­tou diver­sos poe­mas e músi­cas que retratavam a exper­iên­cia desses com­bat­entes brasileiros na guerra e sua vivên­cia den­tro desta comunidade.

Uma inter­es­sante frase pode servir para con­cluir o tema Cul­tura e política: enten­der a memória da guerra como resistên­cia, e não como trauma; resistên­cia desde o ponto de vista do papel dos judeus como sol­da­dos de guerra, como herois e não como víti­mas, e tam­bém a música, o teatro e a poe­sia como resistên­cia aos ter­rores da guerra.

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